Do mdf quadrado arranhado, tela em branco ferida, comecei. Muitos outros riscos, ao som de música, fortes, firmes, calcando a superfície. Quase num transe, desaguada tristeza, ira, diminuí o ritmo. E localizei esse lugar exato na tela, vinco mais fundo. se resgando pouco a pouco. Ferida aberta. Ali parei. Olhei. Respirei. Quanta dor cabe no ser humano. A dor aliviada de ser enfim vista.
Depois, nas peças se chamando uma a uma, sem desenho prévio, manchas de cor, foram surgindo formas espontâneas. Um pássaro cinza, um galo no sol, mata e também águas de cura, a seta negra, e o arco. Pura Shakti, fogo, transformação.